3 Razões para você assistir o documentário “She is Beautiful When She is Angry”

“She is Beautiful When She is Angry”, um documentário lançado em 2014, trás à vista o panorama do surgimento do movimento feminista nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos. Antes de nomear as três principais razões pelas quais você deve assistir o filme, permitam-me dizer que este documentário apresenta várias facetas do surgimento deste movimento e nos faz questionar sobre os nossos direitos, e, se hoje, nós, jovens mulheres, teríamos coragem de embarcar numa luta assim.

1.Você passa a conhecer os rostos das mulheres que deram início ao movimento feminista. Muitos de nós quando falamos do movimento feminista, enaltecemos as ações que fizeram com que o tema “direitos das mulheres” entrasse na agenda mundial, sem saber quem foram as ativistas debateram e lutaram por isso. O documentário, portanto, apresenta-nos essas senhoras, uma por uma, com nome e tudo!

2.O documentário faz uma reflexão sobre o lugar da mulher negra dentro do próprio movimento feminista e como elas se sentiram em relação ao movimento que estava a surgir. Ou seja, o documentário frisa a importância do movimento feminista ter diferentes vozes e representações.

3.O documentário reforça a importância das referências literárias como A Mística Feminina, de Betty Friedan e Shameless Hussy: Selected Stories, Essays and Poetry by Alta para um melhor entendimento do papel da mulher na sociedade e diálogos sobre o que é ser mulher.

O documentário está disponível na Netflix.

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O luto das vítimas é luta

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A argentina Lucía Perez, 16 anos, foi vítima de um feminicídio brutal. De acordo com o inquérito feito, a jovem morreu devido a dor excessiva de ser empalada! (*Empalar)

Este caso lembrou-me uma Maria da ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, que por um fio conseguiu escapar com vida, vítima de golpes de catana do marido.

De norte a sul, elas são “amputadas” no corpo e na alma.

Quando eu penso nessas e outras vítimas o meu estômago dá voltas…

O machismo mata, mata de verdade! A violência contra a mulher, principalmente a doméstica, tem uma dificuldade de enfrentamento. Não existe formula mágica, é verdade, mas precisamos educar a sociedade a não aceitar nenhum tipo de violência. Precisamos investir, com todas as forças, na educação sobre o que é o machismo, racismo, homofobia e outros crimes de ódio. Precisamos abraçar projectos que beneficiam as pessoas, no geral. Precisamos educar a comunicação social para que a violência contra a mulher não vire espectáculo. Precisamos debruçar nas leis e nas políticas públicas. Precisamos denunciar o agressor.

O luto das vítimas é luta. Precisa ser a nossa luta.

Mulheres empoderadas, Mulheres conscientes

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Vivian e Claudia são mulheres que estudaram e foram criadas para serem bem-sucedidas. Mas, seguiram caminhos diferentes.

Claudia é uma dona de casa nada desesperada: adora cozinhar para o marido e não há nada que lhe faça mais feliz do que cuidar dos filhos. Vivian é advogada,solteira, gosta de sexo casual e decidiu que filhos só quer lá na frente!

“Claudia, vai jogar sua carreira fora?”.

“Vivian, quando vai se casar?”.

Escolhas.  A vida é feita de escolhas. A libertação feminina saiu do universo das teses para instalar-se no agora. Claudia e Vivian seguiram direções que a qualquer momento podem mudar, ainda bem. A empresária, hoje, pode ser a dona de casa amanhã. Possibilidades. Elas estão todas ali.

Porém, não se deixe enganar. Essas duas mulheres não representam a maioria. Na verdade, elas representam a  imagem de que o acesso ao capital, diploma ou casamento  significa uma mulher de sucesso. Uma mulher de mérito.

Mas, será que estudar na melhor universidade, ter vários dígitos na conta bancária e aliança no dedo torna a mulher empoderada?

Ou, a torna, simplesmente, privilegiada?

Sim, porque do que adianta uma mulher alcançar um alto cargo de serviço, por exemplo, e não ser consciente da desigualdade social que afeta outras mulheres.

E aproveito para dizer o seguinte: muitas de nós contribuímos para o prolongamento dessa disparidade social!

Mulheres no poder ou com poder são muitas. Empoderadas, apenas algumas.

As mulheres só serão empoderadas quando abraçarem o conceito real do feminismo.

Um conceito político que zela pela igualdade de oportunidades e direitos, independentemente, da classe social, raça, gênero, identidade, sexualidade ou nacionalidade.

E claro, sem exclusão!

Mulheres empoderadas, sim. Mas, sem “apagar” ou “ofuscar” ninguém.

A ideia é ver a diversidade de mãos dadas. Só assim, uma sociedade global sustentável.

Não é defeito, é efeito

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“Para ser bela terás que ter um rosto simétrico e um corpo delgado”, um dia, alguém disse.

Contudo, apareceu Ana, Creusa, Maria… E, muitas, muitas outras. Mulheres bonitas, belas, lindas, lindíssimas com uma orelha mais exibida que a outra, um nariz achatado, um espaço entre os dentes, um corpo roliço… Mulheres que foram desenhadas com um lápis de ponta mais grossa. Mulheres que foram coloridas com cores fortes, cores suaves, cores marcantes.

Musas dos traços indefinidos. Desiguais. Ah, os traços! Que maravilha que elas são. Que lembrete que elas são (quando as aceitamos) de que não é defeito, é efeito.