Os livros do meu pai

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Eu gostaria muito que o título deste post fosse “Os livros que o meu pai deixou-me”, mas não deu tempo para ele oferecer-me “oficialmente” todos os seus livros antes de morrer. Na época, estávamos mais preocupados em termos tempo para brincar ou comer  doces. Embora, ele sempre incentivou a boa leitura, como “Os mais belos contos de Andersen”, para mim e o meu irmão.

Hoje, olho para minha estante e metade dos livros que eu tenho foram dele. Quando a minha mãe procura um livro e não encontra na sala, claro, “está no quarto da Denise”.

Este post não é sobre o meu pai, a pessoa com quem eu mais queria falar sobre livros no mundo, mas só para indicar três clássicos universais que lhe pertenciam.

  • O primeiro é o “O principezinho” de Antoine De Saint-Exupéry. E aproveito para citar uma dedicatória do autor a Léon Werth que aparece nas primeiras páginas deste livro:

“Peço desculpa as crianças por ter dedicado este livro a uma pessoa crescida. Tenho uma grande desculpa: essa pessoa é o melhor amigo que eu tenho no mundo. Tenho uma outra desculpa: essa pessoa crescida tudo pode compreender, até os livros para crianças. tenho uma terceira desculpa: essa pessoa crescida vive em França onde passa fome e frio. Bem precisa de ser consolada. Se todas estas desculpas não bastam, quero dedicar este livro a criança que foi outrora essa pessoa crescida. Todas as pessoas crescidas foram primeiro crianças (…)”

  • O segundo livro e de um autor japonês, sim, você leu bem. Junichiro Tanizaki. O nome do romance é “A confissão Impudica”, relato de uma relação amorosa no mínimo complexa. Eu comecei a ler este livro, mas parei…pretendo retomar esta leitura em breve.
  • O terceiro livro é violento, é quente, é a “Bahia de Todos-os-Santos” de Jorge Amado que conta história de uma velha cidade, a cidade de Jorge.

É isso leitores, desejo que os vossos pais plantem uma semente boa em vocês. O meu plantou a semente da leitura, e por isso eu amo os livros.

Livros da Isabel Allende que eu recomendo

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Os livros de Isabel Allende tem sido um vício para mim, nos últimos tempos. Eu não conhecia a autora, até começar a ler “A ilha debaixo do mar” Aliás, devo confessar que o que me fez comprar o livro foi a capa! Sim, sou daquelas que aprecia o trabalho de quem pensa e faz a capa de um livro, o designer ou o ilustrador no caso.

Sou exigente com capas. Gosto daquelas que tem pouco brilho e facilita a leitura, ilustrações que falam, porque não deixam de ser a tela de pintura da história do próprio livro, material de capa dura, resumindo, aprecio o bom acabamento externo. Pois, para mim isso é um convite a leitura.

E, por acaso, os livros da Isabel que eu comprei tem ilustrações lindas de mulheres que fizeram-me sentir que eu podia ser uma delas, antes mesmo de ler a história.

Talvez, em um outro post, eu fale um pouco do meu “amor” pelas capas “bonitas” e de como esse item é importante para quem vai publicar ou vender um livro!

Mas, voltando ao post de hoje, eu li dois livros da autora e estou a caminho do terceiro. Isabel Allende é perita em contar histórias de mulheres corajosas nas “suas lutas”, escreve sobre experiências femininas de forma bastante descritiva, na linha do realismo mágico, algo que eu gosto muito.

Confiram a minha listinha:

  • A ilha debaixo do Mar
  • O caderno de Maya
  • A casa dos Espíritos

Boa leitura! Para quem já conhece os livros da autora, por favor, partilhe as suas impressões! 🙂

O tempo é pouco para tantas histórias

20160831_180537Quando eu andava no liceu, e não tinha certeza se os livros iriam ter tal peso na minha vida, tinha uma colega de turma que lia três livros ao mesmo tempo. Na altura, pensei que fosse uma forma de impressionar a professora, mas não. O tempo passou e continuei a ler um livro de cada vez, até que um dia um bichinho me mordeu e senti que ler um livro não era suficiente. O tempo era pouco e as histórias que eu queria ler infinitas.

Passei a ler mais…

No post leituras para 2016 eu mencionei os seguintes livros:

  • Mar me quer, Mia Couto (LIDO)
  • Tudo que eu queria te dizer, Martha Medeiros (LIDO)
  • Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie (A LER AINDA)
  • A coisa à volta do teu pescoço, Chimamanda Ngozi Adichie (A LER AINDA)
  • O Amor da Tua Vida, Cecelia Ahren (LIDO)

Ou seja, agora leio cinco livros ao mesmo tempo, porque a minha ansiedade não deixa-me ler menos que isso! Introduzi, portanto, mais três livros:

  • Antologia Poética, Cecília Meireles
  • Zen Limites, Filinto Elísio
  • A ilha debaixo do mar, Isabel Allende

Para ser sincera, não sei quando vou terminar todos. É possível que termine alguns dos livros novos antes.

O tempo é pouco para tantas histórias…

A presença pequena das mulheres negras nos livros

Durante o tempo que fiquei sem escrever aqui no blog, e peço desculpas por isso, eu tive tempo para olhar a minha estante de livros com mais atenção. Passei as mãos no design das capas, folhei as páginas, li os parágrafos por alto…e conclui: tenho poucos livros com mulheres negras como protagonistas. Não que agora eu tenho que comprar livros que tenham essas mulheres por questão de afirmação.

Simplesmente, é inquietante não conhecer tantas histórias com elas no comando. Lá na frente. Narrando. Enfim, incomodou-me tanto que tive que conversar com outras leitoras sobre isso.

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Comidas “escondidas”

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Abre o meu apetite encontrar comidas nos livros que não são, oficialmente, de culinária. Gosto de poder ler sobre um tema qualquer e, quando menos eu espero, um personagem fala de uma receita da avó ou um prato especial! É como se estivessem “escondidas”…

Para mim, é bónus encontrar esses sabores numa narrativa fora do contexto gastronómico. Sem esquecer, que a maioria desses doces e salgados não vem acompanhado de um passo-a-passo. No meu caso, esse mistério faz com que eu imagine o gosto e o aspecto desse tal bolo de chocolate, carne assada e assim por diante.

E para dar início a esta série de “caça sabores” nos livros, eu partilho um trecho do O Amor da Tua Vida” de Cecelia Ahern.

“Gosto muito de lombo de salmão temperado sobre ratatouille de legumes MEDITERRÂNICOS e puré de batata cremoso.
O Adam fez um ar de quem estava prestes a vomitar.
-É isso mesmo para o senhor, obrigada.
-Não desejam entradas?
-Não – respondemos em uníssono.
-Quando perdeste o apetite? – quis saber.
-Não sei, há uns meses. E tu?
-Eu não perdi”.

Parece gula da minha parte, mas não é. Simplesmente, encontrar comidas nas minhas leituras desperta uma sensação boa. Caseira.

 

 

 

 

Inspiração: Como arrumar livros com estilo

Não é novidade: eu amo livros. E espero que, ao longo da minha caminhada, a minha colecção cresça muito, muito. Olavo Bilac, poeta brasileiro, disse uma vez: “Os livros não matam a fome, não suprimem a miséria, não acabam com as desigualdades e com as injustiças do mundo, mas consolam as almas, e fazem-nos sonhar.”

Enfim, flutuando e sonhando com as imagens perfeitas no Pinterest, eu encontrei algumas ideias fofas de estantes para arrumar livros. Espero que gostem da partilha!

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Conversei com a Cecília Meireles

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Percorri a estante de livros da sala à procura de alguém que quisesse ter um diálogo mais próximo. Íntimo. Guiada pela minha secura de sons. Balanço. Eu conheci a Cecília Meireles.Tomamos um chá juntas.

Mulher de sentimento! Com humanidade presente em toda sua existência, confirmo.

Não tem segurança? É frágil? Cecília é cúmplice! Ela é aliada da finura das coisas. Da moleza daquilo que derrete. É delicadeza? Não sei. É ir além, talvez.

Da nossa conversa, ela disse algo profundo que ficou:

“Ainda que sendo tarde e em vão,
perguntarei por que motivo
tudo quando eu quis de mais vivo
tinha por cima escrito: “Não”.

Conversamos muito. Eu disse pouco. Com os olhos brandos, ela falava com sua voz adoçada. Alta. Eu, sem abrir a boca, comentava. Diante do seu olhar sensível sobre a vida, eu tinha pouco para lhe dizer. Em voz alta.

Você lê o quanto você é

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Aos 84 anos ela não é alfabetizada, mas sabe ler. Dona Zuzu lê melhor que muitos por aí, acredite!

É que ser alfabetizado não significa saber ler ou se dedicar à leitura.

Para Dona Zuzu nada é de difícil compreensão. E se for, aos olhos dela, deixa de ser. Tudo ela lê: o quadro de pintura na sala de estar, o olhar perdido do mendigo, o sofrimento da vizinha aos gritos com o marido. Cheiros, expressões e emoções. Ler o quotidiano. A vida. É para poucos.

A sensibilidade da Dona Zuzu permite que ela leia e tenha a capacidade de construir uma conexão com o mundo. Uma conexão com a linguagem do mundo.

“Ler os outros e descobrir que existem muitos outros”. Esse é o seu lema.

Dona Zuzu acredita que saber ler não é estabelecer uma ligação, apenas, com o que está escrito. É conseguir ler o que foi desenhado, pintado ou interpretado. É conseguir ler a angustia, euforia e inveja através das nuances, sem que uma palavra seja escrita. Ou, dita!

A sua potência de ler equivale à sua potência de ser.

Uns conseguem ler os livros. Outros, a vida. Os sortudos, os livros e a vida.

 

Aconteceu em África

Selecionei dois livros, de autoras africanas, da minha estante que relatam diferentes vivências. São livros que contam histórias que aconteceram em África. Aproveitei, também, para partilhar frases que me fizeram refletir, de alguma forma, durante a leitura dos dois livros. Espero que gostem e, claro, recomendo a leitura!

Indomável, Uma Luta pela Liberdade

Wangari Maathai, mãe de três filhos e Prémio Nobel da Paz em 2004, conta-nos a sua história de ambientalista e activista através das suas experiencias no Quénia, antes e pós a independência. Um relato sincero, em primeira pessoa, que me cativou desde o primeiro capítulo.

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Meio Sol Amarelo

Eu já manifestei a minha admiração pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie num post na página do blog no Facebook. E falar sobre esse livro não é diferente. Eu não conheço a Nigéria, pessoalmente. Mas, Chimamanda me apresentou o seu país. Passei a ter uma leve idéia do que foi a Nigéria nos anos 60 através de uma narrativa que envolve amor, política, guerra e laços familiares.

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