Cidade da Praia acolhe Mia Couto

A atmosfera da Biblioteca Nacional estava leve, com os lugares todos ocupados, era o Mia Couto, finalmente! Pelas entrevistas, que eu assisti antes de o conhecer, percebi que o Mia é poético ao falar, mas não sabia que tinha tanto humor. Fez-nos rir a todos. Foi uma hora de conversa onde cada resposta deste escritor era uma história ou pensamentos como “o medo de errar é uma das maiores ditaduras” e “a literatura resgata a dimensão humana”.

Mia Couto começou por dizer que a sua visita a Cabo Verde pode ser traduzida em uma conversa e que estava ali para partilhar com pessoas, não só as coisas que ele tem como certeza, mas também as duvidas, os medos. “Eu não sou escritor porque sei, porque tenho certezas, porque tenho garantias. Parto de qualquer coisa que não está desenhada, não é meu chão”.

A importância da literatura na vida de qualquer ser humano foi um dos temas que mais chamou a minha atenção. A literatura que não tem pretensão de pertencer a nenhuma verdade, que é um pátio, um lugar onde “as verdades podem conversar”. Segundo o Mia, é esse diálogo que constrói uma nação e exemplifica que no caso de Moçambique foram castigados por uma insistência de uma versão única da história, durante a guerra civil, onde várias nações queriam ter voz.

Durante a conversa, o Mia Couto falou também do seu pai, Fernando Couto. “O meu pai era poeta e passou-me que a literatura tem esta dimensão de procurar alguma coisa que só encontramos nos livros. Quando eu lia um livro eu tornava-me existente. Eu era uma pessoa, era como se aquele escritor estivesse a falar para mim e eu fosse a única pessoa no mundo. E comecei a perceber que não eram os livros que importavam, mas a voz que emanava deste objecto“.

Leitores, a sensação de voltar a escrever no blog é boa, espero continuar.

Mia, obrigada por pousar para a foto! 🙂

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Livros da Isabel Allende que eu recomendo

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Os livros de Isabel Allende tem sido um vício para mim, nos últimos tempos. Eu não conhecia a autora, até começar a ler “A ilha debaixo do mar” Aliás, devo confessar que o que me fez comprar o livro foi a capa! Sim, sou daquelas que aprecia o trabalho de quem pensa e faz a capa de um livro, o designer ou o ilustrador no caso.

Sou exigente com capas. Gosto daquelas que tem pouco brilho e facilita a leitura, ilustrações que falam, porque não deixam de ser a tela de pintura da história do próprio livro, material de capa dura, resumindo, aprecio o bom acabamento externo. Pois, para mim isso é um convite a leitura.

E, por acaso, os livros da Isabel que eu comprei tem ilustrações lindas de mulheres que fizeram-me sentir que eu podia ser uma delas, antes mesmo de ler a história.

Talvez, em um outro post, eu fale um pouco do meu “amor” pelas capas “bonitas” e de como esse item é importante para quem vai publicar ou vender um livro!

Mas, voltando ao post de hoje, eu li dois livros da autora e estou a caminho do terceiro. Isabel Allende é perita em contar histórias de mulheres corajosas nas “suas lutas”, escreve sobre experiências femininas de forma bastante descritiva, na linha do realismo mágico, algo que eu gosto muito.

Confiram a minha listinha:

  • A ilha debaixo do Mar
  • O caderno de Maya
  • A casa dos Espíritos

Boa leitura! Para quem já conhece os livros da autora, por favor, partilhe as suas impressões! 🙂

O tempo é pouco para tantas histórias

20160831_180537Quando eu andava no liceu, e não tinha certeza se os livros iriam ter tal peso na minha vida, tinha uma colega de turma que lia três livros ao mesmo tempo. Na altura, pensei que fosse uma forma de impressionar a professora, mas não. O tempo passou e continuei a ler um livro de cada vez, até que um dia um bichinho me mordeu e senti que ler um livro não era suficiente. O tempo era pouco e as histórias que eu queria ler infinitas.

Passei a ler mais…

No post leituras para 2016 eu mencionei os seguintes livros:

  • Mar me quer, Mia Couto (LIDO)
  • Tudo que eu queria te dizer, Martha Medeiros (LIDO)
  • Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie (A LER AINDA)
  • A coisa à volta do teu pescoço, Chimamanda Ngozi Adichie (A LER AINDA)
  • O Amor da Tua Vida, Cecelia Ahren (LIDO)

Ou seja, agora leio cinco livros ao mesmo tempo, porque a minha ansiedade não deixa-me ler menos que isso! Introduzi, portanto, mais três livros:

  • Antologia Poética, Cecília Meireles
  • Zen Limites, Filinto Elísio
  • A ilha debaixo do mar, Isabel Allende

Para ser sincera, não sei quando vou terminar todos. É possível que termine alguns dos livros novos antes.

O tempo é pouco para tantas histórias…

Shakespeare & Company

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Shakespeare & Company, 37 Rue de la Bûcherie, 75005, Paris/França

O envelope foi deixado debaixo da minha porta. Quando eu li o que tinha escrito tive que esfregar os olhos. Um convite para conhecer a Shakespeare & Company, em Paris. A livraria mais famosa do mundo.

O ambiente era acolhedor, a luz do tecto fraca e a fumaça do chá pairava pelo ar. George Whitman, o anfitrião, olhava para mim com uma expressão de quem estava a divertir-se com o meu deslumbramento. Segui o seu sinal com as mãos para dirigir-me até o final do corredor da livraria.

E lá estava ele: muito calmo, muito seguro de si. Ernest Hemingway.

Imediatamente, as minhas pernas começaram a tremer. Dei meia volta, pronta para ir-me embora. “Que vergonha! O que eu, uma pobre aspirante a escritora, teria para dizer um homem como aquele? Um escritor como aquele”.

Ei, alto lá! Não sabia que eras tão covarde“, disse ele.

Senti o meu rosto a arder. Tremia, mas parei e voltei-me em sua direcção.

Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança”, afirmou Ernest.

Tudo não passou de um sonho. É verdade.

Shakespeare & Company está bem longe da minha casa. Mas os sonhos acontecem. E eu acordei assim: consciente que colocaria um sonho em palavras. Em escrita.

Espero viver mais sonhos, mesmo que num sonho, novamente.