O eco da natureza, no papel!

Leitores…

apresento-vos a minha criação artística, depois de um bom ”banho” de natureza, como tinha vos contado no post anterior. Admito que foi algo muito intuitivo. Não pensei no que seria considerado esteticamente bonito ou certo. Apenas, desenhei com o objectivo de querer dar voz à nossa mãe-terra, a natureza, através de formatos de diferentes tipos de plantas. Para finalizar o desenho com um aspecto rústico e quase que áspero ao toque, fiz um acabamento que imita a fibra vegetal no sentido de enaltecer, mais um vez, as plantas.


E só a título de curiosidade, no livro “50 Designers You Should Know”, está o designer têxtil, William Morris que, assim como eu, usou a natureza como inspiração para criar a sua arte. Enquanto que o Fernando Pessoa, no ” Cancioneiro: Uma antologia”, proclama:

” Flor que não dura

Mais do que a sombra dum momento

Tua frescura

Persiste no meu pensamento (…)”

A natureza tem o poder de inspirar qualquer um. É um pretexto típico, da sua alma puramente feminina, para que ela seja celebrada.

Vamos celebrá-la!

Anúncios

O eco da natureza, em Sintra!

Nunca aconteceu com vocês, ao estarem em um lugar diferente, de sentirem mais conscientes sobre natureza à vossa volta? E ficarem a pensar o quanto temos sorte quando estamos perto das arvores, das flores e diferentes tipos de plantas?

Eu senti isso no outro dia quando fui à cidade de Sintra, em Portugal. Se bem que não há como não se deixar seduzir pela ”vibe natureba” daquela cidade.

Foi uma overdose de verde, por todos os lados, por onde eu andei!

E de todas as sensações boas (e de pertença!) que eu tive, enquanto passeava pela Quinta da Regaleira e o Palácio Nacional da Pena, ficou uma na memória e partilho convosco:

“A natureza que está à minha volta é minha casa. A nossa casa. Somos os moradores desta casa porque fazemos parte dela, desde sempre.

Somos os moradores.

Não somos: Os donos, os senhorios.”

A natureza tem o poder imediato de inspirar-me a ter pensamentos e palavras sobre o que ela própria representa.

A inspiração foi tanta que consegui colocar a criatividade no papel. Mas isso conto-vos e mostro no próximo post.

 

Cidade da Praia acolhe Mia Couto

A atmosfera da Biblioteca Nacional estava leve, com os lugares todos ocupados, era o Mia Couto, finalmente! Pelas entrevistas, que eu assisti antes de o conhecer, percebi que o Mia é poético ao falar, mas não sabia que tinha tanto humor. Fez-nos rir a todos. Foi uma hora de conversa onde cada resposta deste escritor era uma história ou pensamentos como “o medo de errar é uma das maiores ditaduras” e “a literatura resgata a dimensão humana”.

Mia Couto começou por dizer que a sua visita a Cabo Verde pode ser traduzida em uma conversa e que estava ali para partilhar com pessoas, não só as coisas que ele tem como certeza, mas também as duvidas, os medos. “Eu não sou escritor porque sei, porque tenho certezas, porque tenho garantias. Parto de qualquer coisa que não está desenhada, não é meu chão”.

A importância da literatura na vida de qualquer ser humano foi um dos temas que mais chamou a minha atenção. A literatura que não tem pretensão de pertencer a nenhuma verdade, que é um pátio, um lugar onde “as verdades podem conversar”. Segundo o Mia, é esse diálogo que constrói uma nação e exemplifica que no caso de Moçambique foram castigados por uma insistência de uma versão única da história, durante a guerra civil, onde várias nações queriam ter voz.

Durante a conversa, o Mia Couto falou também do seu pai, Fernando Couto. “O meu pai era poeta e passou-me que a literatura tem esta dimensão de procurar alguma coisa que só encontramos nos livros. Quando eu lia um livro eu tornava-me existente. Eu era uma pessoa, era como se aquele escritor estivesse a falar para mim e eu fosse a única pessoa no mundo. E comecei a perceber que não eram os livros que importavam, mas a voz que emanava deste objecto“.

Leitores, a sensação de voltar a escrever no blog é boa, espero continuar.

Mia, obrigada por pousar para a foto! 🙂

O amarelo salva

Gosto de dar cor às gravuras, por isso sempre que posso compro livros de colorir. Não domino nenhuma técnica de pintura ou desenho, mas consigo criar algumas coisas numa tela em branco. No outro dia, comprei, por impulso, uma tela tamanho 40×40, guaches, lápis de carvão estilo profissional e fui a correr para casa.

“Vou fazer uma desenho lindo e pendurar na parede!”, pensei.

A minha obra teve três fases.

Bom, no primeiro momento, com um pincel, nada profissional, de cerdas muito grossas e desfiadas, eu tentei colorir com diferentes cores cada planta, flor, arvore e objecto desenhado. Nos mínimos detalhes. Não deu certo. Consegui borrar tudo na perfeição.

No segundo momento, muito irritada, mergulhei um pincel grande, de cerdas ainda mais grossas,na tinta laranja e vermelho, e passei por cima da tela. Várias cores envolveram-se, mas a cor laranja foi quem ressaltou mais.

“Denise, passaste a tarde toda a fazer um desenho para depois passares guache laranja por cima, sem mais nem menos?”

“Sim…”, respondi desanimada.

Deixei a tinta secar. Nada satisfeita, fiquei parada a olhar para o meu quase quadro. Algo saltou-me aos olhos: o desenho, apesar de ter sido preenchido por várias cores e com uma pincelada master no fim, estava nítido por baixo.

Peguei um feltro preto e ressaltei ainda mais a gravura. Com vontade. Alguma coisa tinha que dar certo daquele momento puramente artístico! Comecei a ficar mais animada. Até tirei uma fotografia e coloquei no instagram para todos verem.

Porém, continuava insatisfeita. Faltava qualquer coisa…a minha pintura continuava “quebrada”.

Nos momentos assim, sempre alguma coisa acontece. Ernest Hemingway veio falar comigo, acreditas? Pois é, fiquei parva. Feliz. Não estava mesmo à espera!

“Estamos todos quebrados, é assim que a luz entra”, disse o Ernest.

Olhei para ele incrédula, e ele devolveu-me o olhar com gozo. Que descaramento! Fez-me sentir tão estúpida…como é que eu não tinha pensado nisso antes. O tubo de guache cor amarelo a “furar-me” os olhos e eu nada, até aquele momento.

Relaxei, sorri e muito delicadamente mergulhei o pincel mais fino do meu estojo na tinta cor amarelo, contornei e preenchi o meu desenho. Aos poucos, a luz começou entrar no meu desenho “quebrado”.

O Ernest sabe das coisas.

O amarelo salva.