A caça de estrelas e sonhos

“Temos que viver apesar de, sem lamentar, senão corremos o risco de ter que carregar o peso do que poderia ter sido. Cresça minha pequena, mas nunca deixe morrer a Pequena Alice, que quer descobrir o mundo. As pessoas, normalmente, deixam morrer elas mesmas, dentro delas. Tenta não fazer issodisse sua mãe, Dona Inácia. Mulher conformada, que já foi de espírito aventureiro, e que tinha guardado na memória o dia em que pisou aquela terra de corpos frágeis, que engole ironias doloridas, vagabundos velhos, onde a única esperança é lenta e grita pelos meninos sem nomes.

Os meninos sem nomes. O que eles faziam ali? Onde estavam as suas mães? O que a sua Pequena Alice fazia ali? Durante o dia, eles corriam atrás de caçar estrelas. Quando não conseguiam, aprendiam, tragicamente, a ser pobres.

Mãe não se consegue ver estrelas de dia. Muito menos, caça-las! Quero voltar para casa. Estou farta de andar às voltas – disse a Pequena Alice um pouco impaciente. Ali, qualquer fadiga morria, forçosamente. Há muito que o céu estava escuro e não se enfeitava de estrelas.

-As estrelas estão no céu, Alice. Precisas, primeiro, acreditar que elas estão lá para vê-las e elas iluminarem os teus os sonhos.

As estrelas estão no céu. Os sonhos, também? Os sonhos estão no céu ou na fronha, mãe?

-No céu, filha. As estrelas e os sonhos estão no céu. E o caminho de um para o outro é curto!

-Risonho.

-Risonho, porquê?

-Porque não sei qual eu vou encontrar primeiro. As estrelas ou o sonho.

– Sonhe, filha.

 

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