A flor de trapo

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Uma flor de trapo feita com retalhos de histórias esquecidas, inacabadas,jogadas a própria sorte sem que ninguém pudesse ter a chance de os ler. Galiléia coseu a flor de trapo para o filho Quimquim de uma vez só. Na noite em que o marido foi morto. Uma linha fina, prendida na agulha, atravessava a miséria do retalho que dava forma a uma flor sem caule.

Na manhã seguinte, Galiléia ofereceu a flor ao filho.

“Regue-a”, pediu.

Quimquim colocou a flor num vaso de vidro onde era possível ver lá dentro, junto com terra, uma vida que ele sonhou ver sem nunca ter chegado a viver, um pássaro mensageiro da paz e a boa nova a ser clamada por crianças pobres, mas felizes.

Quimquim regou a flor por sete noites assombrado pelo terror de ela secar. O menino meigo não sabia o que ele estava fazendo e, por isso, ele regaria a flor mais ainda.

 “Flores de trapo não precisam ser regadas. Elas não secam”.

Quimquim não sabia o que era possível ou impossível, verdade ou mentira. E segundo a mãe ele não deveria saber. Galiléia sabia que o filho iria além porque ele não conhecia as regras, ainda.

A possibilidade “das coisas” daquela flor de trapo era possível sempre que ela fosse regada.

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