Porta do amanhã

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Eu tinha as chaves nas mãos e a porta do amanhã na minha frente. Não abri. Tinha muito medo do que poderia estar à minha espera ao colocar os pés no dia seguinte. Dei meia volta, voltei para casa.

“Por onde andaste? Estávamos todos aflitos! Querida, eu sei que é um momento difícil, mas amanhã é um novo dia.”

“Se eu pudesse eu impediria que o amanhã acontecesse. Juro-te que sim.”

“Que disparate! Então não queres a dor passe? Socos no estômago fazem parte. E dá-me estas chaves que não as quero soltas por aí. Lembra-te: às 05h59 abrimos a porta do amanhã”

Peguei nas chaves com a minha uma coragem embaraçosa e atravessei a porta do amanhã. Algo maravilhoso aconteceu. Eu aprendi que não era certo impedir algumas coisas ruins de acontecerem.

Talvez, às vezes, é necessário eu sentir ridicularizada. Injustiçada. Talvez, às vezes, é necessário eu sentir a dor do soco no estômago. A vulnerabilidade.

Maus bocados permitem-me chegar à parte seguinte de mim mesma.

 

 

 

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