A caixa

20160622_221955A ilegalidade de Alice começa pela  sua busca por uma “vida melhor”. Outras estradas sempre a atraíram. Caminhos que um dia alguém lhe disse, ao pé do ouvido, que levam a fartura de vida, de tudo.

Alice pisou outras estradas, é verdade.

O mal dos sonhos é isso…Não conseguimos ver que sonhos são caixas que guardam abalos a cada partida, a cada chegada.

Alice, já na estrada, rumo ao seu sonho ou caixa, se preferir, depara-se com um barco. Nunca pensou que a sua estrada podia ser o mar. O imenso oceano. À deriva, um estrondo faz o barco afundar.

Alice mergulha.

Alice mergulha para uma situação de desamparo.

Na contrapartida, percebe que vários corpos femininos estão submergidos e pedem ajuda. Ela é mais uma que tinha sido engolida pela ilusão de um dia ter a caixa nas mãos.

Alice arregala os olhos e presta atenção nas mulheres que lutam com a profundidade do intenso azul. Mulheres-feitas, sem qualquer recurso, que acreditaram que podiam seguir “profissões femininas” em outras terras.

Agora, querem alcançar a superfície, flutuar e voltar para estrada antiga.

Alice luta com a profundidade do intenso azul.

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