O comboio partiu às 17h45

 

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“Tic-tac, Tic-Tac”, apressava-lhe o ponteiro do relógio.

Um pequeno monte se formava, com saias e vestidos de cetim, em cima da cama. Sapatos espalhados pelos cantos do quarto. Madalena estava perdida no seu próprio caos.

A pressão do tempo e a incapacidade de embalar tudo arrebentava-lhe os nervos.

“Mala inútil! Como eu vou levar os vestidos, os sapatos, a maquiagem e os perfumes se nada cabe aqui dentro?”.

A mulher estava cega. Desesperada. Mal conseguia ver que aquela mala estava gorda demais. Corpulenta. E por isso, os outros itens não conseguiam entrar.

Madalena meteu na mala  os arranhões e as batidas.

Antes de si, antes de qualquer coisa.

Ela queria carregar consigo o seu drama. Viver na eterna absorção sofrida de si mesma.

O comboio partiu às 17h45.

Madalena ficou.

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