Os Habitantes de Dadaab

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“City of Thorns”, de autoria de Ben Rawlence, conta a história de nove vidas no maior campo de refugiados do mundo em Dadaab, no Quénia. Lar de meio milhão de habitantes. A cidade de espinhos levanta uma geração inteira, desde a sua fundação em 1992, quando os refugiados fugiram da guerra civil na Somália.

Ben Rawlence

Eu, ainda, não li o livro. Conheci o Ben Rawlence, pesquisador da Human Rights Watch, através de um vídeo no youtube em que ele falava da sua notável obra (clica aqui para ver). Imediatamente, interessei-me. Entrei em contacto e ele aceitou dar uma breve entrevista para o blog!

 

 

Porquê “City of Thorns” (Cidade de Espinhos)?

Ben Rawlence: Porque o campo é, literalmente, feito de espinhos que os refugiados cortaram no deserto. É, também, uma metáfora, pois aquele campo é como uma prisão. Ela dói!

Em 2010, você esteve no Campo dos Refugiados de Dadaab. Qual foi a primeira impressão ao colocar os pés lá dentro?

BR: Eu fiquei surpreso e pensei: “Alguém precisa escrever um livro sobre este lugar”. Eu fiquei espantado com forma como as pessoas sobreviveram e  como o acampamento tinha estado lá todo esse tempo. Eu queria saber mais. Foi então que deixei o meu emprego e comecei a minha pesquisa.

Qual foi a razão de quereres contar a história dessas pessoas?

BR: Eu queria comunicar sobre tragédia e o drama daquele lugar. Portanto, eu pensei que a melhor maneira de fazer isso era através de histórias individuais. A imagem da mídia é muito generalista, criando estereótipos. Nesse sentido, resolvi focar no indivíduo e no seu dia-a-dia.

Um artigo no jornal New York Times diz que “City of Thorns” é uma fotografia da miséria, violência, medo, desespero e abandono. Concordas?

BR: Sim, mas também é muito mais do que isso. É sobre como as pessoas sobrevivem, se apaixonam, lutam para ganhar a vida e se divertem…

O livro

O livro não tem um final em especial. Simplesmente, acaba. Baseado no que viste e viveste, darias um outro final ao livro?

BR: Não. Esse é o final. Porque não há fim para o sofrimento dessas pessoas, nenhuma solução para a sua situação: elas estão presas. E o objetivo é fazer com que o leitor sinta essa sensação de ser deixado pendurado. De lado.

Em uma das suas entrevistas você alega que esses refugiados querem trabalhar e dar o seu contributo. Porquê que achas que isso não acontece?

BR: Por causa do racismo e da hostilidade do Governo Queniano que não permitirá que os refugiados trabalhem. Este é um sentimento comum em muitos países do mundo, onde não querem que os refugiados e requerentes de asilo trabalhem. Mesmo que, sob a lei internacional, tenham direitos. É uma miopia, em minha opinião. Uma vez autorizados a trabalhar, o governo queniano se beneficiará com isso (em termos de receitas fiscais).

“City of Thorns”, um retrato comovente, realista e cuidadoso.

Um retrato sobre vidas que muitos não conhecem. Não fazem ideia.

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