O vício

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Mais uma beata de cigarro, cheiro de mofo, apartamento vazio. Cara no chão.

Da janela do oitavo andar: pequenas criaturas para lá e para cá. Representavam.

Concentravam todos os esforços na imagem que queriam passar. O porteiro, a mulher do corpo violão, o polícia. O cão.  Dentro do apartamento: as paredes não precisavam daquilo.

Não representam.

Cada gole, cada garrafa vazia. O vício. Mergulhava para encarnação da personagem que seria projectada no painel da vida. Uma imagem abstrata. Irreal.

Encosto a cabeça na janela e olho para lá em embaixo. Penso.

“Identificamos nós mesmos pelo nosso status social, bens, vícios, corpos e conquistas. Será que sou o que realmente pareço ser? Uma parte de mim eu me recuso a dar. O melhor de mim está aqui. Encolhido. Com tampa e tudo”.

E assim, enquanto eu pensava que engolia, o vício me engolia.

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