O território do esquecimento…

ea02b6af59638c3be3835ee6e28d5d91

Não pretendo ir muito longe. Falarei dela: África. O ano de 2014 e início de 2015 foram de muitos dramas para território do esquecimento…

No norte da Nigéria, o grupo radical islamista Boko Haram sequestrou mais de 200 alunas da cidade de Chibok. O vírus Ébola atacou a África Ocidental e foram totalizadas milhares de vítimas da doença. No Burkina Faso, o Parlamento foi incendiado em protesto contra a tentativa do Blaise Compaoré se recandidatar ao cargo de Presidente.  Na Republica Centro Africana foi vivido o “caos” com conflito causado pelos rebeldes Séléka. Na África do Sul, 20 anos após as eleições livres, a democracia entrou em crise. O Sudão do Sul, país mais jovem do mundo, entrou em guerra civil.

Relembrar acontecimentos que abalam a África é necessário para a identificação, mesmo que pequena, das mudanças positivas. Entretanto, por que não falar sobre aqueles que inspiram os outros para uma visão mais alargada sobre a realidade africana?

Fred Swaniker. Conhece? Talvez, sim. Fred nasceu no Gana, viveu na Gâmbia, no Botswana e na Zimbábue. Numa palestra, no mínimo emocionante, no TED Talks – Organização sem fins lucrativos dedicada ao lema “idéias que merecem ser compartilhadas”- Fred conta que assistiu o seu primeiro golpe de Estado quando tinha quatro anos.

O jovem ganês, de 34 anos, afirma que durante a sua infância em África aprendeu o quanto os líderes tem o poder de influenciar um país tanto pelo bem como para o mal. E acredita que a qualidade da liderança em África tem melhorado.

“Creio que a próxima geração que virá a seguir a esta, a quarta geração, tem uma oportunidade única de transformar o continente. Concretamente, podem fazer duas coisas que as gerações anteriores não fizeram. A primeira coisa que eles precisam fazer é criar a prosperidade para o continente. Porque é que a prosperidade é tão importante? Porque nenhuma das gerações anteriores conseguiu agarrar nesta questão da pobreza. A África de hoje tem a população de crescimento mais rápido do mundo, mas também a mais pobre. Em 2030, África terá um força de trabalho maior do que a China, e em 2050, terá a maior força de trabalho do mundo. Mil milhões de pessoas vão precisar de trabalho, em África. Se as nossas economias não cresceram suficientemente depressa, estamos em cima duma bomba relógio, não apenas para África, mas para todo o mundo” afirma.

Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana, ironiza a visão que muitos têm sobre o seu continente. Numa entrevista, em 2010, à revista brasileira Época, Chimamanda lamenta que o estereótipo da África nos países desenvolvidos seja baseado na catástofre. Para muitos, a África é terra de pobreza e guerras. Nada mais. Como bem disse ela: “Há pobreza na África, mas existem pessoas que pensam que a pobreza é tudo que a África tem”.

Chimamanda acredita que não existe uma cultura tipicamente africana. Não existe isso de autenticidade, pois, o que as pessoas fazem são dar rótulos. E o que existe, sim, é a cultura humana, resultado de uma longa história de trocas. “Em geral, elas sabem muito pouco sobre a África, e por isso, insistem na representação única de suas estreitas visões”, afirma.

África não é um espaço sociocultural e político homogêneo. O pluralismo do continente africano precisa ser explorado, estudado, compreendido e conhecido por todos, ou quase todos.

Anúncios

One thought on “O território do esquecimento…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s